Projeto “Aliança das Torcidas” oferece tratamento com cannabis medicinal para autistas

A Aliança Medicinal agora é oficialmente parceira das torcidas organizadas do Sport, do Náutico e do Santa Cruz do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesta segunda-feira (13), dia em que a associação de pacientes de cannabis medicinal comemora cinco anos de fundação, pessoas autistas, indicadas pelas torcidas do TEA nos clubes, começaram a receber o óleo terapêutico, que traz resultados comprovados em todos os graus de suporte do autismo.

O acolhimento social faz parte do projeto Aliança das Torcidas, resultado da parceria entre a Associação Aliança Medicinal e o médico de família Leandro Ferro, prescritor e defensor da terapia medicamentosa com cannabis. Pela manhã, na sede da Aliança, em Olinda (PE), foi dado o pontapé inicial com a entrega de medicamentos a três integrantes de cada torcida autista. Eles pertencem a nove famílias que não podem arcar com os custos desse tratamento.

“Nosso propósito é assegurar o acesso dessas pessoas a um tratamento de saúde que, como o TEA, possui um amplo espectro, podendo ser usado no autismo e em diversas condições clínicas e doenças”, declarou o engenheiro agrônomo e diretor-executivo da Aliança Medicinal, Ricardo Hazin Asfora.

Os torcedores, que já têm laudos de autismo, passaram por consultas com o Dr. Leandro e receberam receitas e orientação individualizadas, ou seja, para cada pessoa uma prescrição personalizada, de acordo com o seu quadro. “No autismo, a cannabis medicinal atua na redução de agitação, da agressividade e outros aspectos, e traz qualidade de vida ao paciente e às pessoas que cuidam dele”, explicou o médico Leandro Ferro.

Para o médico, a proposta do projeto Aliança das Torcidas vai trazer mais visibilidade à terapia canábica, ao trabalho da Aliança Medicinal e aos médicos prescritores de cannabis. O intuito é democratizar cada vez mais as informações sobre tratamentos que trazem melhoras significativas e comprovadas cientificamente para condições como o autismo, o TDAH, e doenças como o Alzheimer, epilepsias e depressão.

A presidente da Aliança Medicinal, Hélida Lacerda, relaciona o projeto Aliança das Torcidas aos propósitos da associação. “Garantir o acesso à terapia com cannabis medicinal é o principal propósito da nossa associação. Fundamos a Aliança Medicinal para salvar meu filho, que tinha uma epilepsia refratária incurável. Sem melhora com a medicina tradicional, Anthony foi tratado com o óleo da cannabis e viveu conosco muito mais do que as previsões médicas indicavam. O acesso à cannabis medicinal é o acesso à recuperação e à qualidade de vida”, afirmou a presidente.

ARQUIBANCADA AUTISTA

A Aliança das Torcidas uniu associação, médico e dirigentes das torcidas neurodivergentes do trio de ferro do futebol pernambucano: Autistas da Ilha, do Sport; Autistas do Arruda, do Santa Cruz; e Timbú Neuro, do Náutico. Juntas, elas formam a Arquibancada Autista de Pernambuco, integrantes da Arquibancada Autista nacional formada por 40 clubes do país.

“Este é um passo muito importante, vai ser um marco, não só nas torcidas autistas, mas na sociedade pernambucana. As três torcidas, mais uma vez, estão dando as mãos e levando para as famílias atípicas uma oportunidade de tratamento para seus filhos, sobrinhos, netos. Esperamos que a sociedade reconheça a importância da terapia com cannabis”, afirmou o fundador e presidente da Autistas da Ilha, Eduardo Pedrosa, representando os presidentes da Timbu Neuro e da Autistas do Arruda.

Segundo ele, quando se trata de inclusão a rivalidade entre os clubes leva cartão vermelho. “Estamos sempre fazendo encontros, reunindo nossas torcidas. Rivalidade só existe dentro das quatro linhas”, complementou.

UMA ALIANÇA PELA VIDA

A Aliança Medicinal, associação de pacientes que produz medicamentos à base de cannabis medicinal, com distribuição em todo o Brasil, é a primeira fazenda urbana de cannabis medicinal do Brasil. Ela completa cinco anos no dia 13 de julho e nasceu graças ao encontro entre a ciência da engenharia agrônoma e o amor de uma mãe por seu filho.

Essa “aliança” ocorreu com os fundadores cadastrando pacientes e suas famílias, promovendo consultas médicas, mutirões, batalhas judiciais e com a implantação do método inovador de cultivo indoor (em ambiente controlado), criado por Ricardo Hazin Asfora.

Com especialização em cultivo de cannabis medicinal nos Estados Unidos, Ricardo Hazin Asfora buscava disponibilizar seu conhecimento acumulado para famílias que necessitavam do medicamento, quando conheceu Hélida Lacerda, mãe que já liderava uma luta pelo uso do óleo de cannabis para seu filho Anthony e para outras famílias.

“Juntamos nossos saberes e lutas para promover o bem coletivo”, lembra o engenheiro agrônomo. “Foi uma época em que precisávamos ter coragem para usar o óleo de cannabis, por causa do preconceito, mas vencemos todas essas barreiras para promover o bem coletivo para milhares de famílias em todo o Brasil”, completa Hélida.

AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL

O modelo de funcionamento da Aliança Medicinal atende às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e contribuiu com a autorização pela Justiça Federal, para cultivar, produzir e distribuir os medicamentos à base de cannabis. “Nosso sistema é resultado das pesquisas e da prática diária, que criam as melhores condições de iluminação, irrigação e alimentação para as mudas se tornarem os melhores Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs). Usamos tecnologias e máquinas e ao mesmo tempo o trabalho manual e humano”, resume Asfora.

A união inicial de propósitos fez a Aliança florescer e crescer com seriedade. Com cerca de 17 mil associados, que usam a medicação para diversas patologias, em fevereiro deste ano, a instituição recebeu a sentença do Tribunal Regional Federal (TRF-5) que substituiu a autorização inicial e assegurou a legalidade do trabalho, reconhecendo seus benefícios para a saúde e a sociedade.

“Escolhemos ficar sob o guarda-chuva da ciência, desde o cultivo da planta à produção dos medicamentos, seguindo todas as exigências técnicas para garantir remédios com a qualidade necessária aos pacientes. Esta escolha foi reconhecida pela justiça, que deu a sentença para a cannabis medicinal evoluir no universo da saúde”, conclui Asfora.

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