Com defeso eleitoral, pré-candidatos esperam que governadora Raquel Lyra defina candidaturas ao Senado

Com o início do período de defeso eleitoral, que impede a governadora Raquel Lyra (PSD) de participar de agendas administrativas públicas, como inaugurações e atos de anúncios e assinaturas de obras, cresce a expectativa para que as negociações sobre a composição da chapa da gestora para a eleição ganhem maior intensidade.

Isso porque a governadora evitou antecipar qualquer decisão e, quando pressionada sobre como iria montar o palanque para a disputa da reeleição, mantinha o discurso de foco na gestão e nas entregas. Enquanto isso, a disputa pelas duas vagas ao Senado ganhou protagonismo, principalmente pela briga interna na União Progressista.

De um lado, o presidente da federação em Pernambuco e do PP no Estado, o deputado federal Eduardo da Fonte, reivindica uma das vagas ao Senado na chapa de Raquel Lyra. Para reforçar a legitimidade, cita o apoio de mais de 20 prefeitos, a numerosa bancada do PP na Assembleia Legislativa e os três deputados federais da legenda, incluindo ele e o filho, Lula da Fonte.

O parlamentar afirmou esperar que a chapa seja definida antes das convenções partidárias. “As conversas vão começar a acontecer. A partir desta semana, acredito que começa o afunilamento, para marcar data e organizar as coisas direitinho. Todo mundo tem a vontade de resolver antes (das convenções), mas vamos fazer essa construção com tranquilidade”, declarou.

Em contrapartida, o presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, também deseja disputar o Senado na chapa da governadora. O ex-prefeito de Petrolina apoiou Raquel Lyra no segundo turno de 2022, após perder a disputa pelo governo ainda no primeiro turno.

Depois de um período de afastamento, quando chegou a circular como pré-candidato ao Senado ao lado de João Campos, Miguel voltou a participar de agendas com Raquel. Ele tem divergido de Eduardo da Fonte, ao afirmar que a decisão cabe à governadora.

“Tu já viste partido montar chapa? Eu nunca vi. Perdoem o palavreado, mas nunca vi poste ‘mijar’ em cachorro. Seria a primeira vez”, disse, ontem (6), em entrevista à Rádio Cultura do Nordeste.

A gestora ainda tem à disposição o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) e o senador Fernando Dueire (PSD), que também se colocam como pré-candidatos. 

Oposição

No grupo do pré-candidato do PSB ao Governo do Estado, João Campos, o cenário é mais tranquilo. A chapa já está definida com o empresário Carlos Costa (Republicanos) como vice, e o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) para o Senado.

De acordo com interlocutores de Campos, o período de defeso eleitoral é visto com otimismo por equilibrar a disputa. Sem que a governadora percorra os municípios anunciando obras e entregas, as visitas de João Campos ao interior tendem a se intensificar. Outra aposta é a divulgação de vídeos expondo o que considera fragilidades da atual gestão.

Na noite de ontem (6), João Campos reforçou presença, ao lado dos demais pré-candidatos na chapa, na Região Metropolitana do Recife, com a realização de uma plenária com mulheres, no município de Paulista. A cidade é governada por um aliado da governadora Raquel Lyra, o prefeito Severino Ramos (PSD). Antes, recebeu apoio de lideranças, como do ex-prefeito e atual vereador de Ferreiros, Bruno Japhet (MDB) e do ex-prefeito de Ribeirão, Marcello Maranhão (PSB).

Folha de Pernambuco

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