Esta sexta-feira (6) é feriado estadual em Pernambuco em razão da Data Magna, que marca a Revolução Pernambucana de 1817. A celebração relembra o movimento que, há 209 anos, proclamou uma república no estado e se tornou um dos episódios mais emblemáticos da história política pernambucana.
A escolha do 6 de março remete ao dia em que lideranças locais romperam oficialmente com a Coroa portuguesa e anunciaram, no Recife, a formação de um governo próprio. O episódio é apontado por historiadores como a primeira experiência brasileira de tomada efetiva de poder por um movimento anticolonial, ainda que por tempo limitado. A Data Magna virou feriado estadual em 2017.
A revolução que criou uma república no Nordeste
A chamada Revolução Pernambucana foi resultado da combinação entre ideias iluministas e a insatisfação com o domínio português. Civis, militares e religiosos participaram da articulação que levou à deposição do então governador da província, enviado ao Rio de Janeiro após a vitória inicial do movimento.
No dia seguinte à proclamação, foi formado um governo provisório composto por representantes de diferentes grupos sociais, como comerciantes, militares, membros do clero, magistrados e senhores de engenho. O novo regime chegou a contar com apoio no Rio Grande do Norte, na Paraíba e em parte do Ceará.
Para o historiador George Cabral, professor da Universidade Federal de Pernambuco, o significado do movimento ultrapassa o simbolismo regional.
“Foi uma revolução com pensamento republicano e constitucional. O respeito à Constituição, a igualdade perante a lei, o problema da escravidão, que foi considerado e havia o desejo de abolir dentro de um prazo mais rápido possível. Todas essas questões ligam diretamente a Revolução de 1817 com a atualidade. Não é simplesmente uma coisa que aconteceu há mais de dois séculos, são discussões que ainda estão presentes na atualidade política do Brasil, sobretudo no que diz respeito à questão do pacto federativo”, diz.

