Mais de 60 prefeitos subiram ao palco durante shows no período de São João em Pernambuco

Ao menos 67 prefeitos de Pernambuco subiram ao palco durante shows no período de São João deste ano, o que pode ser classificado como promoção pessoal indevida e descumprimento do princípio da impessoalidade. As aparições vão desde fotos com o público ao fundo a serem convidados pelos artistas para o palco, tocarem zabumba e dançarem.

Não há vedação expressa na Constituição à participação de prefeitos em eventos públicos. No entanto, essa conduta pode ser interpretada como violação ao princípio da impessoalidade, caso caracterize promoção pessoal indevida, o que ensejaria responsabilização por improbidade administrativa ou em processo instaurado pelo Tribunal de Contas.

O levantamento foi feito pelo Diario de Pernambuco com base em publicações nas páginas dos prefeitos e das prefeituras no Instagram. O resultado indica que um a cada três prefeitos subiram ao palco. Entre os casos estão as cidades de Jaboatão dos Guararapes, Petrolina, Caruaru e Arcoverde.

Os números também consideram eventos que ocorreram durante o período de maio a julho e que não são oficialmente juninos, como festivais, festas de emancipação e datas comemorativas específicas das cidades.

Auditoria

É o caso, por exemplo, de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Durante o tradicional Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), o prefeito Sivaldo Albino (PSB) subiu repetidas vezes ao palco.

Em uma das ocasiões, no palco Mestre Dominguinhos, o principal do festival, o prefeito participou do show de Anderson Neiff, para confirmar a apresentação do artista na próxima edição, de 2026.

Após o episódio, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), abriu auditoria especial para apurar suposta violação do princípio da impessoalidade pelo gestor. “Tal conduta do gestor pode configurar, em tese, promoção pessoal indevida, mediante a utilização de evento público”, diz o documento assinado pelo procurador do Ministério Público de Contas (MPCO) Cristiano da Paixão Pimentel.

Ele também afirma que a conduta de Albino “pode evidenciar, em tese, a promoção de sua imagem pessoal, o que é explicitamente vedado pelo princípio da impessoalidade”.

Essas informações são do Diário de PE

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