Anos de El Niño costumam impor uma pressão adicional sobre a inflação brasileira ao afetar a produção agrícola e encarecer alimentos in natura, energia e outros itens sensíveis ao clima. De acordo com o economista-chefe e sócio da G5 Partners, Luís Otávio Leal, no Brasil, a inflação projetada para 2026 é 5,3% em função do fenômeno climático.
As estimativas indicam que a alimentação no domicílio deve subir 8% no ano, bem acima do índice cheio, refletindo a maior sensibilidade dos alimentos às oscilações climáticas.
Na prática, isso significa que secas, excesso de chuvas e perdas de produtividade no campo tendem a contaminar primeiro os preços de itens básicos consumidos em casa, pressionando o custo de vida e dificultando a convergência do IPCA para a meta.
O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, altera o regime de chuvas e temperaturas no Brasil, provocando secas em algumas regiões e excesso de precipitação em outras, com impacto direto sobre safras, logística e custos de produção.
A magnitude desse efeito já aparece nas estimativas do mercado e nas análises do Banco Central. Projeções recentes compiladas pela autoridade monetária indicam que um ciclo de El Niño pode acrescentar cerca de 0,3 ponto percentual ao IPCA no ano em que o fenômeno ocorre e mais 0,4 ponto no ano seguinte, prolongando a pressão inflacionária mesmo após o pico dos efeitos climáticos.
CNN

