Leite de jumenta ganha destaque científico e surge como alternativa para salvar vidas

Durante muito tempo visto apenas como parte da história rural brasileira, o jumento voltou ao centro do debate científico por um motivo nobre. Pesquisas conduzidas por universidades brasileiras indicam que o leite de jumenta pode desempenhar um papel relevante tanto na saúde de bebês prematuros quanto na redução do estresse e da inflamação em animais submetidos a fases críticas de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, os resultados reacendem a discussão sobre a preservação desses animais, cada vez mais ameaçados pelo abate indiscriminado.

A investigação foi conduzida pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, e realizada no Criatório Ximbó, em Laranjal Paulista, interior de São Paulo. O estudo analisou os efeitos do leite de jumenta em leitões durante o período de desmame, fase considerada extremamente estressante tanto do ponto de vista fisiológico quanto imunológico.

Um leite com características próximas ao humano

Segundo o professor Adroaldo José Zanella, da USP de Pirassununga, o interesse científico pelo leite de jumenta não é recente. Na Europa, especialmente na Itália, ele já é utilizado como suplemento alimentar para crianças prematuras, justamente por apresentar composição muito semelhante à do leite humano. Além disso, o produto é valorizado na produção de derivados de alto custo, como queijos artesanais e cosméticos.

Entretanto, ao retornar ao Brasil, Zanella se deparou com um cenário que o motivou a ampliar o alcance da pesquisa. “Quando voltei ao país e vi o descaso com os jumentos, abatidos de forma cruel para atender ao mercado de colágeno, fiquei profundamente impactado”, relata o professor. Para ele, a ciência poderia ser uma ferramenta não apenas de inovação, mas também de resgate histórico e social. “A ideia era devolver valor ao jumento, um animal que ajudou a construir o Nordeste e hoje está ameaçado”, acrescenta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *