Em Ouricuri, o silêncio político após a prisão de Jair Bolsonaro chamou atenção. Nenhuma liderança com influência local se manifestou lamentando o caso. Isso evidencia um comportamento já conhecido na cidade, onde a direita é fraca, pouco assumida e sem representantes dispostos a se identificar publicamente com o bolsonarismo.
O cenário tem relação direta com a força do lulismo no município. Em Ouricuri, posicionar-se como político de direita raramente traz vantagem eleitoral. Por isso, a maioria das lideranças opta por discursos neutros ou próximos ao campo progressista. Até figuras de partidos considerados de centro-direita preferem evitar bandeiras bolsonaristas para não enfrentar rejeição da população.
O resultado é um descompasso evidente. Existem eleitores de Bolsonaro, mas não existem lideranças bolsonaristas. A cidade convive com uma direita desorganizada e praticamente invisível, sem nomes que se coloquem à frente desse espaço. Assim, enquanto outras regiões registraram manifestações e reações públicas, Ouricuri permaneceu completamente quieta. O silêncio não é apenas sobre o episódio nacional, mas sobre a falta de uma direita assumida na política local.

