Foram 4.068 pessoas mortas decorrentes de intervenção policial, sendo 3.066 negras. O número pode ser ainda maior, já que uma em cada oito mortes não tiveram a cor da pele informada.
Os dados fazem parte da sexta edição do relatório “Pele Alvo: crônicas de dor e luta”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento analisou dados de 2024 nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.
O relatório mostra que 86% das vítimas das ações policiais, quando a cor é informada, são negras ou pardas, revelando quem é o principal alvo da violência estatal, como reflete o professor de Direito Penal e Conselheiro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Cleifson Dias
“A situação da violência no Brasil, ela tem características tanto patrimonialistas, sobretudo patrimonialistas, e raciais. Ser pobre e ser negro no Brasil significa fazer parte de um grupo populacional que é alvo preferencial, mas é alvo sobretudo projetado para a atuação da violência de Estado. Seja a violência direta, essa que a gente tá comentando, a praticada por um agente público, quanto a violência indireta praticada pela ausência de políticas públicas”.

