Vita Sertão entra na reta final para assumir saneamento de 24 municípios

Enquanto se prepara para assumir integralmente, no fim de outubro, os serviços concedidos em 24 municípios, a VITA Sertão estrutura suas bases operacionais em quatro cidades do Sertão de Pernambuco, amplia a contratação de pessoal e avança no diagnóstico da infraestrutura que receberá da Compesa. A nova concessionária ficará responsável pela distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto e gestão comercial.

A concessionária caminha para 300 contratações e prevê chegar a cerca de 500 pessoas na operação, entre empregados próprios e terceirizados. A sede administrativa fica em Petrolina, que também será uma das três bases operacionais, ao lado de Salgueiro e Ouricuri. A empresa terá ainda uma equipe em Araripina. Os polos concentrarão funcionários e equipamentos para atender também aos municípios do entorno.

Paralelamente à montagem da operação, a VITA Sertão prepara o plano diretor que detalhará os investimentos por período e localidade. O documento ainda está sendo contratado e, segundo o CEO da concessionária, Eduardo Dantas, deverá ficar pronto no primeiro semestre de 2027.

O contrato prevê R$ 3,4 bilhões em investimentos durante os 35 anos de concessão, dos quais R$ 2,8 bilhões estão concentrados nos primeiros oito anos. A concessão é resultado do leilão realizado em dezembro de 2025 e o contrato foi assinado em 2 de abril deste ano.

A VITA Sertão venceu o leilão do Bloco 1 do Sertão na privatização parcial da Compesa com uma outorga de R$ 720 milhões, posteriormente atualizada pelo IPCA. Segundo Dantas, o pagamento foi dividido em três etapas: 60% pagos na assinatura do contrato e mais duas parcelas de 20% na transferência dos ativos e outros 20% restantes após 24 meses de operação.

A assunção encerra a fase de operação assistida iniciada em abril, período em que a Compesa permanece responsável pela prestação dos serviços. Depois da transferência dos ativos, a estatal continuará atuando na captação e no tratamento da água, que será entregue à Vita Sertão para distribuição aos consumidores.

Durante o período de transição, a VITA tem aprofundar o diagnóstico da infraestrutura que receberá da Compesa. Segundo Dantas, o levantamento não revelou problemas muito diferentes daqueles identificados antes do leilão, mas mostrou a necessidade de intervenções para aumentar a confiabilidade do sistema. Entre as prioridades estão equipamentos de bombeamento, manutenção e desobstrução de redes e estruturas do sistema de esgotamento sanitário.

Mesmo antes da conclusão do plano diretor, a concessionária antecipou cerca de 20 intervenções em oito municípios, todas voltadas ao abastecimento de água. Parte delas já foi concluída, incluindo extensões de rede em localidades onde o abastecimento ocorria de maneira informal. Dantas explica que as intervenções em esgotamento sanitário exigem mais projetos e engenharia e, por isso, demandam maior tempo de preparação.
Outro desafio da concessão será ampliar a segurança hídrica em uma região historicamente marcada pela escassez de água. O contrato prevê cerca de 450 quilômetros de adutoras novas e revitalizadas, e a Transposição do Rio São Francisco integra esse planejamento de ampliação da oferta.

Folha de PE / Foto: Divulgação

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